Polícia

Morte em clínica de reabilitação vira caso de tortura e cárcere privado em Marechal Deodoro

Ministério Público denuncia três pessoas e aponta agressões contínuas, sedação excessiva e confinamento da vítima por cerca de sete meses

Por Redação 20/03/2026 08h25
Morte em clínica de reabilitação vira caso de tortura e cárcere privado em Marechal Deodoro
Cláudia Pollyanne Farias de Sant Anna, de 41 anos - Foto: Arquivo Pessoal

A morte de Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, de 41 anos, ocorrida em agosto de 2025 em uma clínica de reabilitação em Marechal Deodoro, passou a ser tratada como resultado de tortura e cárcere privado após denúncia formal apresentada pelo Ministério Público de Alagoas. Foram denunciados Maurício Anchieta de Souza, Jéssica da Conceição Vilela e Soraya Pollyanne dos Santos Farias, tia da vítima, apontados como responsáveis por submeter a vítima a agressões físicas, uso excessivo de medicamentos e restrição de liberdade ao longo de aproximadamente sete meses, o que teria levado ao óbito.

De acordo com a denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Adriano Jorge Correia de Barros Lima, a vítima foi internada na comunidade terapêutica Luz e Vida, em Marechal Deodoro, após buscar tratamento para dependência química. No entanto, durante o período em que permaneceu no local, teria sido submetida a uma rotina de violência física e psicológica, além de isolamento e controle de comunicação.

O Ministério Público sustenta que Cláudia foi mantida em cárcere privado e sofreu episódios sucessivos de agressões, incluindo socos, chutes e outros maus-tratos. No dia da morte, conforme a peça acusatória, ela não resistiu após mais uma sequência de violências, agravadas pelo estado de vulnerabilidade em que se encontrava.

O laudo pericial incorporado à denúncia aponta que a vítima apresentava múltiplas lesões em diferentes estágios de evolução, o que indica agressões contínuas. Exames também identificaram a presença de diversos medicamentos no organismo, com dosagens acima do limite terapêutico, comprometendo sua capacidade de reação. Entre as substâncias citadas estão antidepressivos, antipsicóticos e benzodiazepínicos.

Para o Ministério Público, a combinação entre violência física e sedação química funcionava como mecanismo de controle dentro da clínica. Depoimentos colhidos durante a investigação indicam que outros internos também teriam sido submetidos a práticas semelhantes, sugerindo um padrão de abusos no local.

Na denúncia, o órgão pediu à Justiça a prisão preventiva dos acusados, além de medidas como busca e apreensão na clínica e nas residências dos investigados. Também foi solicitada a quebra de sigilo de dados e comunicações, incluindo acesso a conteúdos de celulares, computadores e aplicativos de mensagens, para aprofundar a apuração.

O caso ganhou repercussão após o laudo do Instituto Médico Legal apontar como causa da morte insuficiência respiratória associada a agressões físicas e intoxicação medicamentosa. Com a denúncia, a investigação avança para a fase judicial, com acusação formal de tortura com resultado morte.

A defesa dos denunciados não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.